GRASS – Introdução

Instalação
No site do GRASS, no OSGeo.org, pode baixar a versão stand-alone (apenas GRASS) ou um pacote mais completo com outros programas (Quantum GIS, GDAL, etc.). Recomendo instalar logo a versão completa. Sempre serve.

1. Criar um mapset
No menu inicial, clique no botão Location Wizard, localizado na direita (Gerir > Definir nova locação):

  1. Localize a pasta onde deixou os arquivos raster que baixou e escolhe um nome para o projeto;
  2. Escolhe a opção “Read projection and datum from a georeferenced data file” e selecione um dos arquivos raster;
  3. Não precisa definir a resolução do mapa por enquanto.

Com a Location definida, aparece o nome que você escolheu na janela da esquerda e um mapset PERMANENT na janela de direita. Crie outro mapset nesta locação, clicando em Create Mapset (Gerir > Create new mapset in selected location). Quando isso for feito, selecione o mapset e clique em Start GRASS.

2. Primeiros dados

No Grass, tem duas janelas: uma para a administração e a manipulação (Gestor de Camadas, ou GC), e outra para a visualização (Map Display, ou MP). Ao inicializar o programa com um novo mapset, ambas estão vazias. É necessário carregar alguma coisa (lembrando que quando escolheu o seu arquivo raster para a projeção georreferenciada, o Grass apenas utilizou os metadados para a localização). Para carregar um mapa raster, do tipo que é obtido do SRTM ou do Earth Explorer (ver Nota, em baixo), vamos usar o script r.in.gdal (Arquivo>Importar dados raster>Formatos de importação comuns).

Agora o nome do seu primeiro arquivo aparece no GC e pode visualizá-lo no MP clicando na sua caixinha. Caso tenha outros arquivos de imagem raster, repita a operação.

3. Mosaico

Muitas vezes, as áreas de estudo estão localizadas entre dois, três ou quatro imagens de satelite. Como as referências de elevação de cada imagem são diferentes, as cores não correspondem e a visualização é complicada. É preciso juntar os diversos pedaços em uma única imagem, com o script i.image.mosaic (Imagery > Criar imagens e grupos > Imagens de mosaico).

Na janela de opções, selecione as diversas partes. São duas partes na primeira aba e, eventualmente, duas outras na segunda – um total de quatro arquivos por mosaico.

4. Vetores
Dados vetoriais são compostos de pontos, linhas ou polígonos. Estes componentes podem, ainda, estarem associados a outras informações que podem ser apresentadas visualmente nos mapas. Por exemplo, áreas de vegetação, ruas ou trilhas, sítios com vestígios, etc. Para carregar uma camada de vetores no GRASS, use o script v.in.ogr (Arquivo> Importar dados vetoriais> Formatos de importação comuns).

No Brasil, a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) dispõe de um GeoBank com muitas informações geológicas em vetores (hidrografia, litologia). São classificadas por estado, por folha, ou por projeto individual. A busca pela informação certa pode ser um pouco difícil, mas vale a pena.

Enfim, talvez o mais importante de tudo, se você tem uma planilha com as coordenadas geográficas dos sítios arqueológicos, pode importá-los no programa. Isso se faz por etapas. Primeiro, precisa exportar a sua planilha no formato .csv no seu programa favorito. Segundo, importa o arquivo no GRASS, com o comando db.in.ogr (Arquivo> Importar tabela de banco de dados> Formatos de importação múltipla usando OGR). Se não definir um nome de saída específico, ele terá o nome do arquivo csv. Enfim, precisa importar estes dados dentro de uma camada vetorial, com o comando v.in.db (Vector> Gerar pontos> Gerar da base de dados). Selecione quais colunas correspondem às coordenadas e pronto, a camada vetorial é criada. Pode exportá-la usando o script v.out.ogr (Arquivo> Exportar mapa vetorial> Formatos de exportação comum).

Conclusão
Pronto, já pode visualizar diversos tipos de informações arqueológicas num local só. O bom posicionamento de cada camada, segundo o sistema de coordenadas, será objeto do próximo post.

Notas:

Embora os dados SRTM estejam disponíveis no site relevobr, a sua definição de 90 metros (8.100m²) não é a melhor que se possa obter. Os dados ASTER tem resolução de 30 metros (900m²). Para buscá-los, é necessário registrar-se no site do Earth Explorer (USGS). Selecione a área que deseja estudar, faça o pedido e espera que os dados estejam disponibilizados. Salva os seus arquivos numa pasta própria (por exemplo, Documentos/GRASS), e lança o Grass.