Uma forma de comunicação

Em 2009, a pesquisa de Genevieve von Petzinger revelou que os pontos, as linhas e outros grafismos geométricos encontrados nas cavernas pré-históricas europeias constituiriam o precursor de um antigo sistema de comunicação escrita que remontaria a cerca de 30.000 anos. Compilou signos de 146 sítios diferentes para elaborar uma comparação em ampla escala.

26 signos recorrentes

A surpresa vem da padronização dos símbolos no espaço e no tempo. Alguns permaneceram em uso contínuo durante um período de 20.000 anos. 26 signos específicos podem corresponder aos primeiros indícios de um código gráfico que teria sido utilizado por humanos, pouco tempo depois da sua chegada na Europa, ou trazido por eles. Von Petzinger e April Nowell, professora de antropologia na Universidade de Victoria, apontam para o fato que, embora os grafismos geométricos constituíssem a maioria dos símbolos, eles são geralmente pouco estudados.

O banco de dados

Von Petzinger se concentrou na arte parietal, e escolheu a França como região de estudo, devido à abundancia de sítios decorados e às suas fronteiras geográficas bem definidas. O banco de dados, disponível no site da Bradshaw Foundation, pode ser pesquisado por diversos critérios como categorias de símbolo, método de produção, intervalo cronológico, coordenadas geográficas ou por região. Inclui também uma seleção de fotografias e de reproduções em diversos tamanhos. Na sua tese, publicada com licença Creative Common e disponível para download, a pesquisadora procurou padrões espaciais e temporais nos tipos de signos, bem como a frequência e as implicações destas padronizações.

Uma forma de comunicação?

Embora admitissem que não constitua uma linguagem escrita, aparece claramente que se trate de uma forma de comunicação. Von Petzinger reconhece que, sem maior acesso às informações, é difícil oferecer explicações sobre a significação dos grafismos, mas o seu estudo já constitui uma forma de responder à esta pergunta.

Traduzido e adaptado de Past Horizons

Novos sítios rupestres no México

40 sítios de arte rupestre foram descobertose registrados no nordeste do estado de Guanajuato, no México, em um projeo do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH). A maioria dos grafismos foram realizaos por grupos de caçadores-coletores que habitavam a região entre o seçulo 1 e o seculo 5, mas há também registros de pinturas da época colonial, bem como dos séculos 19 e 20.

As descobertas foram divulgadas pelo arqueólogo Carlos Viramontes após quatro anos e pesquisa na região semi-árida de Queretaro e Guanajuato. “Encontramos mais de 3000 motivos em 40 sítios, distribuidos nos municípios de Tierra Blanca, San Luis de la Paz, San Diego Union, Xichú e Victoria, no Guanajuato”. Juntos, desde o final dos anos 80, mais de 70 sítios de arte rupestre foram registrados. Os mais antigos, velhos de 2000 anos, foram classificados em dois grupos:

Público – sítios com um número elevado de autores, de acesso fácil, perto da base de montes ou nos vales.
Privado – sítios onde um número reduzido de pessoas ou um pequeno grupo realizava ceremonias em locais de difícil acesso, como vales profundos ou caniones.

As cores favoritas pelos caçadores-coletores são o amarelo, o vermelho e o preto. Pintavas figuras humanas com cocares, saias ou casacos, carregando objetos não identificados ou arcos e flechas em cenas de guerra ou de caça. “Há uma grande variedade de animais representados – principalmente o veado, mas também cachoros e insectos que parecem centipedos e aranhas, e muitas aves,” explicou Viramontes. O arqueólogo estima que, para estes caçadores-coletores, o ato de criar imagens em superficies rochosas ia além do registro de vida cotidiana e dos rituais. Avança que a própria rocha era o ponto de contato entre o mundo material e o mundo espiritual.

Além de grafismos antigos, outros tipos são atestados para o periodo colonial, com a representação de cruzes e de altares e de inscrições datadas. Foram realizadas em pigmentos brancos, típicos do povo Otomi que se instalou no deserto de Guanajuato e de Queretaro no século 16. “Enquanto as imagens do século 19, foram realizadas por rancheiros locais com pigmentos vermelhos e consistiam em cruzes e altares, ou pessoas vestidas de chapéus e de calças compridas típicas daquele periodo. Para o século 20, encontramos pinturas de copos e de cruzes, provavelmente durante a guerra de Cristero nos anos 20. A comunidade local explicou que neste tempo, rituais religiosos eram realizados nos abrigos,” disse Viramontes.

Traduzido e adaptado de Past Horizons.

Superposições de pinturas de diversas épocas ocorrem na arte rupestre de praticamenter todas as regiões. Em Morro do Chapéu, um sítio é bem característico deste processo: fileiras de caminhões foram pintadas em cima de outros grafismos mais antigos. Os pigmentos recentes não são industriais, portanto os seus autores utilizaram materiais minerais e/ou orgânicos. A presença da BA-052, à poucas centanas de metros do sítio, é provavelmente a fonte de inspiração dos autores mais recentes. A sua construção teve início em 1972.


Redes temporárias

Uma grande variedade de sistemas presentes na natureza, na sociedade e nas tecnologias – desde as redes de contatos sexuais na Internet até o sistema nervoso, passando pelas redes elétricas – podem ser modeladas como grafos com vertices ligadas por edges. A estrutura da rede, que descreve como o grafo é conectado, nos ajuda a entender, predizer e optimizar o comportamento de sistemas dinâmicos. Em diversos casos, porém, as edges não são ativas de forma contínua. Por exemplo, em redes de comunicação por email, mensagens de texto ou ligações telefônicas, as edges representam sequências de contatos instantâneos ou quase instantâneos. Em alguns casos, as edges são ativas para um periodo muito curto de tempo: em geral, os modelos de proximidade entre pacientes de hospitais podem ser representados por um grafo onde cada edge entre indivíduos acontece durante o tempo em que eles estão no mesmo quarto. Considerando a topologia das redes, a estrutura temporal da ativação das redes pode afetar as dinâmicas de sistemas interagindo. Neste artigo, apresentamos o campo emergente das redes temporárias, e estudamos métodos para analizar a estrutura topológica e temporária, e modelos para elucidar as suas relações com o comportamento geral dos sistemas dinâmicos. Pelo fato de propriedades fundamentais das redes não existirem necessariamente em redes temporárias, muitos métodos aplicáveis para as redes estáticas devem ser reavaliadas.

Traduzido e adaptado de arxiv.org.

A questão do caráter temporário das pinturas rupestres é ilustrado em diversos casos etnográficos, sobretudo na Austrália. Tribos aboriginais podem “reutilizar” sítios arqueológicos para realizar pinturas sem que os níveis mais antigos de ocupação pareçam ter influência sobre os novos grafismos. Naturalmente, não se pode negar totalmente a escolha do local enquanto reativação, ou reatualização, de práticas anteriores, mesmo se os novos grafismos não estão relacionados com os anteriores. Assim, há uma diversidade de processos que se desenvolvem ao mesmo tempo: alguns podem ser temporários (por exemplo, as pinturas) enquanto outros não (por exemplo, o sítio). A dificuldade é de perceber, no registro arqueológico, quem é quem.

Megaseca identificada por dendrocronologia

Perto de 900 anos atrás, o sudoeste dos EUA estava no meio de uma seca que durou várias décadas. Trata-se do maior período de seca conhecido para esta região. Cientistas da Universidade de Arizona Cody Routson, Connie Woodhouse e Jonathan Overpeck pesquisaram o sul das montanhas San Juan, no Estado do Colorado. A região serve de divisor de águas primário para o rio San Juan e o Rio Grande.

“Estas montanhas são muito importantes tanto para o San Juan quanto para o Rio Grande,” explicou Routson, doutorando no laboratório de estudos ambientais do departamento de geociência da UA e principal autor do estudo.

O rio San Juan é tributário do Rio Colorado, o que significa que toda mudança climática que afeta a bacía do San Juan afeta também o rio Colorado.

A dendrocronologia é a ciência que utiliza os aneis de crescimento natural das árvores para entender o clima do passado. As árvores acrescentam normalmente um anel bem definido em volto do seu tronco a cada ano, e a contagem destes – de fora para dentro – permite determinar não só a idade da árvore, mas também quais eram os anos bons para o crescimento, e aqueles que foram difíceis.

“Em nossa cronologia para o sul das montanhas San Juan, criamos um registro que volta 2200 anos no passado,” disse Routson. “Poucos registros são tão longos que testemunham as condições globais de dois períodos de seca no sudoeste.”

Traduzido e adaptado de University of Arizona

Fábrica de ocre em Sibudu

A descoberta de uma “fábrica” de pó de ocre no sítio de Sibudu, no norte de Durban, em KwaZulu-Natal, África do Sul, coloque um novo marco na utilização de pigmentos por grupos humanos, em 58.000 anos.

Como o pigmento de ocre foi utilizado no mundo todo para realizar certos tipos de pinturas rupestres, as informações do sítio são muito valiosas:

  • Aparece numa gama de cores que vai do laranja ao vermelho, passando pelo amarelo, o marrom e todos seus tons. Segundo Lyn Wadley, responsável pelo projeto em Sibudu e professora na Universidade do Witwatersrand, “Ocres amarelos e marrons podem ser transformados em vermelho por aquecimento, em temperaturas de 250 graus.”
  • O ocre foi encontrado em um punção de osso, que era provavelmente utilizado para trabalhar ou tingir o coro.
  • É derivado de uma argila naturalmente colorida que contem oxídios de minerais. Além de colorir os objetos, ele se transforme em uma mistura adesiva quando misturado com outros ingredientes, como gosma de plantas e gorduras animais.
  • O sítio constite em quatro fogueiras cimentadas que continham pó de ocre. Nos espaços cimentados podia haver mós, mas podiam também servir para guardar o ocre.
  • Segundo Francisco d’Errico, diretor do CNRS na Universidade de Bordeaux, os pigmentos são encontrados em diversos outros sítios, mas não conhecemos a forma com a qual era processado e utilizado. O ocre tinha provavelmente um papel importante na culturas da época, e a sua produção envolvia diversos grupos.

Traduzido e adaptado de Discovery News

Intermediaridade como motor da conexão preferencial

Betweenness Centrality as a Driver of Preferential Attachment in the Evolution of Research Collaboration Networks, por Alireza Abbasi, Liaquat Hossain e Loet Leydesdorff.

Procuramos saber se a conexão preferencial nas redes de colaborações científicas é diferente para autores com formas diferentes de centralidade. Com um banco de dados completo para pesquisa sobre “estruturas de aço”, mostramos que a centralidade de intermediaridade (betweenness centrality) de um nó existente permite predizer de maneira mais significativa a conexão preferencial dos novos nós, comparado à centralidade de proximidade ou o grau.

Durante o crescimento de uma rede, a conexão preferencial se desloca da centralidade de grau (local) para a centralidade de intermediaridade enquanto medida global. Uma possível interpretação é que os orientadores de pesquisa de doutorado e pós-doutorado compartilham o acesso aos novos entrantes e à rede pré-existente, se tornando assim centrais para a conexão preferencial. Por causa desta mediação, redes acadêmicas podem se desenvolver de forma diferente daquelas que são baseadas em conexão preferencial para nós com grau alto.

Traduzido e adaptado de Arxiv.org

Aparece sempre, por trás dos dados de uma rede, um contexto humano que pode explicar a maneira com a qual novos nós interagem com a rede pré-existente. Em arte rupestre, esta relação com as populações que realizaram os grafismos é fundamental, mesmo se a nossa capacidade em alcançar os grupos pré-históricos é muito mais remota. Podemos até entender as etapas do crescimento de um sítio, mas se não conseguimos relacionar isto com o contexto humano, será de pouca utilidade.

4 graus de separação

Four Degrees of Separation, por Lars Backstrom, Paolo Boldi, Marco Rosa, Johan Ugander e Sebastiano Vigna.

O escritor húngaro Frigyes Karinthi, no seu texto de 1929 L’aancszemek (Cadeias) sugeriu que duas pessoas são separadas por, no máximo, seis relações de amizade. A frase exata na história é levemente ambígua: “Ele apostou que, utilizando apenas 5 indivíduos, um sendo pessoalmente conhecido, ele entraria em contato com o indivíduo escolhido […]”. Não é muito claro se o indivíduo escolhido fazia parte dos cinco, então poderia significar uma distancia de 5 ou 6 na linguagem da teoria dos grafos, mas a expressão “seis graus de separação” ficou conhecida com a peça do mesmo nome de John Guare, em 1990. Segundo a interpretação dele, assumimos que “grau de separação” quer dizer “distancia menos um”.

No famoso trabalho de Stanley Milgram, as pessoas recebiam o desafio de encaminhar cartões postais para um receptor fixo, passando apenas por conhecidos diretos. A distancia média do caminho dos cartões se situava entre 4.6 e 6.1, dependendo da amostra escolhida.

Apresentamos os resultados da primeira modelização da distancia de uma rede social em escala global, utilizando a totalidade da rede de usuários ativos do Facebook (aproximadamente 721 milhões de pessoas e 69 bilhões de relações de amizade). A distancia média que observamos é de 4.74, demostrando assim que o mundo é ainda menor que esperado. De forma mais geral, estudamos a distribuição da distancia no Facebook e em diversos subgrafos geográficos, analisando também a sua evolução no tempo.

As redes que estudamos são quase duas vez maiores que todas aquelas analizadas anteriormente. Apresentamos meta-dados estatísticos detalhados mostrando que as nossas medidas (que dependem de algoritmos probabilísticos) são muito precisos.

Traduzido e adaptado de arxiv.org

Data Mining 29/07/11

Modelos de co-residência nas sociedades de caçadores-colhedores mostram uma estrutura social humana única

Um modo de vida de caçador-colhedor constituiu provavelmente a estutura social dominante durante a maior parte da história humana. Sustenta-se geralmente que os grupos de caçadores-colhedores consistam sobretudo em indivíduos ligados por parentesco: pais e filhos, crias, incluindo até as relações conjugais. Em um artigo publicado na revista Science em 11 de março de 2011, Hill et al. analizou os graus de parentesco de 32 grupos de caçadores-colhedores em sociedades contemporâneas (no total, 5064 indivíduos, tamanho médio de um grupo 28,8 adultos) e descobriram que estas sociedades ofereciam uma estrutura social diferentes de primatas ou vertebrados. Embora irmãos e irmãs permaneçam regularmente juntos, a maioria dos indivíduos em grupos residentes não têm relações genéticas. Ademais, ambos os sexos povem escolher em deixar o próprio grupo ou ficar, e nem a linha materna nem a linha paterna domina os grupos. Estes modelos produzem grandes redes de adultos sem parentesco e sugera que o valor seletivo inclusivo não pode explicar a extensa cooperação entre os grupos de caçadores-colhedores. No entanto, largas redes sociais podem ajudar a entender por que os humanos desenvolveram capacidades para a aprendizagem social que resultou em uma cultura cumulativa.

HILL, K. R. et al., Co-Residence Patterns in Hunter-Gatherer Societies Show Unique Human Social Structure, in Science, 331, 6022, 11/03/2001, 1286-1289.

Traduzido e adaptado de Complexity and Social Networks Blog

Data Mining 13/07/2011

Estudantes do Texas ajudam a descobrir a história dos povos nômades da pré-história

Os estudantes da Universidade de Estado do Texas são essenciais na descoberta da vida cotidiana das tribos nômades pré-históricos dos desfiladeiros do Lower Pecos, Texas, USA. Durante um mês, os estudantes trabalharam sobre a orientação do arqueólogo Stephen Black no sítio arqueológico de Little Sotol, e escavaram os fornos de Little Sotol na busca de vestígios da vida prática dos povos que ali residiam. Os fornos receberam este nome de uma planta do deserto local, que pode ter sido uma importante fonte de comida. “A arte rupestre é sexy”, disse Charles Koenig, estudante de graduação em prospecção na região em volta de Little Sotol. “Mas nos estamos tentanto ver como eles modificaram a paisagem.”

Grupos de caçador-coletores percorriam a paisagem há 7000 anos, disse Black, e viviam de frutas e de carne de veado. Em certo momento, as plantas se tornaram principais na sua dieta, e boa parte dela era composta de sotol. Os fornos de terra eram feitos de pedras empilhadas de maneira elaborada. Pedras quentes estavam colocadas no fundo, para cozinhar de baixo de camadas de plantas e de terra. Jacob Combs, um dos estudantes de Black, escavou um pedaço fino de carvão perto de um forno e eles esperam que a datação por carbono permitirá indicar com que freqüência o forno de Little Sotol estava utilizado.

Uma das teorias, disse Black, é que ume seca importante teria dizimado as frutas e as populações de veados, forçando as tribos em comer mais sotol. Outra teoria sustenta que a população cresceu muito, o que explicaria também o uso mais intensivo do sotol. De qualquer modo, o tipo de descoberta feita por Combs é útil.

“A profundez da pré-história e o modo em que devemos juntar as peças é o nosso último método para encher os espaços vazios da história,” disse Tiffany Osburn, uma arqueóloga da Comissão Histórica do Texas que visitou o sítio em meados de junho. “A arqueologia é incremental e cumulativa.”

Editado de Stone Pages Archeo News (11 de julho de 2011)

Data Mining 30/05/2011

Determining style in Palaeolithic cave art: a new method derived from horse images
Romain Pigeaud retoma o problema da cronologia estilística a partir do estudo das pinturas de cavalos.

Computer Applications in Archaeology
Conferências fundadas em 1973 em Birmingham, sobre o uso da informática e dos métodos de quantificação em arqueologia.

Bad archaeology
Tudo sobre a grande conspiração dos arqueólogos aliens que querem dominar o mundo e encontrar a arca de Noé.

Histoire et Sciences Sociales : La longue durée
Fernand Braudel e a influência das novas tecnologias.